
Com programação distribuída nos três turnos do dia, campanha reuniu educação ambiental, peixamento, debates acadêmicos, exposições, manifestações culturais e mobilização social em defesa do Velho Chico
Educação ambiental, ciência, cultura e participação social marcaram a programação da campanha Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico em Juazeiro, nesta quarta-feira (3). Com atividades realizadas ao longo dos três turnos do dia, o município reuniu crianças, estudantes, pesquisadores, instituições parceiras e a comunidade em uma grande mobilização em defesa do Rio São Francisco.
Promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), a iniciativa integrou as comemorações pelos 25 anos da entidade e teve como tema “Velho Chico. Um rio, muitas mãos”, reforçando a importância do engajamento coletivo na preservação e revitalização da bacia hidrográfica.
As atividades começaram pela manhã, no Angari, com uma ação de educação ambiental voltada para estudantes da rede municipal de ensino. O momento foi marcado pela soltura de mais de 50 mil alevinos das espécies curimatã e piau nas águas do Rio São Francisco, contribuindo para o fortalecimento da biodiversidade do Velho Chico. A programação também contou com contação de histórias para crianças e apresentações culturais, aproximando os participantes da importância ambiental, social e cultural do rio.
Durante a tarde, o Teatro João Gilberto recebeu o ciclo acadêmico da campanha, reunindo estudantes, pesquisadores e especialistas para discutir temas como sustentabilidade, mudanças climáticas e gestão dos recursos hídricos. Participaram das atividades representantes de instituições como Embrapa, IFSertãoPE, Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb), além de participantes de municípios como Dormentes e Santa Maria da Boa Vista e cerca de 50 estudantes do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, da rede estadual da Bahia. O espaço também contou com corredor ambiental, exposição fotográfica e apresentação de projetos e trabalhos voltados à temática ambiental.
Para o professor Vinícius Pereira, que acompanhou os estudantes durante a programação, a iniciativa representou uma oportunidade de aproximar os jovens da produção científica e das discussões sobre o futuro do Velho Chico.
“Eles foram conhecendo as áreas acadêmicas, ouvindo professores e pesquisadores falando sobre diversas questões acerca do nosso São Francisco. Então eles saíram com a ideia de que existem áreas de conhecimento aqui na região que tratam disso”.
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A programação seguiu durante a tarde e a noite na Orla II, com exposições, manifestações culturais, apresentações musicais e um cortejo de embarcações pelo Rio São Francisco, reunindo diferentes expressões artísticas em celebração à identidade ribeirinha e à importância do Velho Chico para a região. O encerramento contou ainda com a participação surpresa do cantor e sanfoneiro Targino Gondim.
Coordenador da Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco, Elias Silva destacou a importância simbólica da data e a diversidade das ações promovidas em Juazeiro.
“É um dia marcante para o São Francisco. É um dia de muita cultura, um dia de muita valorização do que a gente tem de mais importante, que é o nosso Velho Chico. Hoje vai ser um dia de festa, vai ser um dia de reflexão, mas principalmente um dia de festa”.
Elias também ressaltou o envolvimento das instituições parceiras e o apoio da Prefeitura de Juazeiro na realização da programação.
Já o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar da Silva, reforçou a dimensão nacional do Rio São Francisco e a importância de garantir a preservação de suas águas para as atuais e futuras gerações.
“Nós estamos falando de 30 milhões de brasileiros que dependem diretamente das águas do Velho Chico. O Velho Chico não é somente o recurso hídrico, mas também as comunidades ribeirinhas, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas e todos os múltiplos usos das águas.”
Segundo ele, a proteção do rio deve ser entendida como um compromisso coletivo.
“Precisamos cuidar para que tenhamos, com a nossa geração, um futuro dessas águas para esta geração e também para as gerações futuras.”
Além de Juazeiro, a campanha Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico também promoveu atividades simultâneas nos municípios de Paracatu (MG), Érico Cardoso (BA) e Canindé de São Francisco (SE), mobilizando diferentes regiões da bacia em torno de uma mesma causa: a defesa e a revitalização do Velho Chico.
Ao reunir educação ambiental, conhecimento científico, manifestações culturais e participação social em uma programação que ocupou os três turnos do dia, Juazeiro reafirmou seu papel como uma das principais cidades da bacia na mobilização em defesa do Rio São Francisco, demonstrando que a preservação do Velho Chico é uma responsabilidade compartilhada e construída por muitas mãos.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Diana Silva
*Foto: Emerson Leite

