
Música, distribuição de mudas e oficinas marcaram o evento em defesa do Rio São Francisco
A comunidade de Paracatu recebeu um convite especial para colaborar na proteção de um dos maiores símbolos culturais e ambientais do Brasil: o Rio São Francisco. A campanha “Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico” desembarcou na Praça da Igreja do Rosário, no Centro Histórico da cidade, no dia 3 de junho.
Painéis informativos foram instalados no local para destacar a importância do Rio São Francisco para o país. Sua bacia hidrográfica abrange seis estados brasileiros — Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe — além do Distrito Federal. Milhões de pessoas dependem de suas águas para o abastecimento, a produção agropecuária e diversas atividades econômicas.
Com o tema “Velho Chico: um rio, muitas mãos”, a campanha busca unir instituições públicas, organizações civis, comitês de bacias hidrográficas e comunidades em torno da revitalização das nascentes e afluentes do rio.
“O Rio Paracatu é um dos principais afluentes do São Francisco, e é fundamental que a comunidade compreenda a importância de sua preservação. Ao cuidar do Rio Paracatu, estamos também protegendo o Velho Chico”, afirmou Tobias Vieira, presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Paracatu e Urucuia.
Paracatu foi uma das quatro cidades escolhidas para sediar a 13ª edição da mobilização em defesa do Rio São Francisco. Simultaneamente, a campanha foi realizada em Érico Cardoso e Juazeiro, na Bahia, e em Canindé de São Francisco, em Sergipe.
A carranca de madeira é um dos símbolos mais conhecidos do Rio São Francisco. Tradicionalmente instalada na proa das embarcações que navegavam pelo rio, acreditava-se que a escultura possuía o poder de afastar maus espíritos, perigos e forças negativas das águas.
Participação da comunidade
Alunos de escolas locais, produtores rurais, profissionais liberais e representantes de diversas instituições participaram da programação ao longo do dia e de atividades promovidas por instituições parceiras ligadas ao meio ambiente. Foram realizadas oficinas de plantio de sementes, apresentação de capoeira, teatro com poesia e distribuição gratuita de mudas de árvores do Cerrado, além de apresentações culturais. O cantor mineiro Saulo Sabino encantou a criançada com canções e personagens que apresentaram parte da fauna brasileira como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e a arara-azul, numa interação lúdica, de forma que se aprende brincando.
Os estudantes do 9º ano da Escola Municipal Cacilda Caetano, Mariane Rodrigues e Pedro Lucas Borges, participaram da campanha. “Aprendi que o Rio São Francisco abastece várias cidades em seis estados e que muitas atividades dependem da água que ele fornece”, contou Mariane. Pedro Lucas destacou a importância da experiência. “É a primeira vez que participo de uma campanha ambiental tão importante. A água é essencial para todos nós”, afirmou.
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Sustentabilidade e futuro
Um dos pontos altos do evento foi a palestra “Velho Chico, Cerrado e Sustentabilidade: desafios para o futuro das águas brasileiras”, ministrada pelo ex-ministro do Meio Ambiente e engenheiro florestal José Carlos Carvalho. Para ele, a presença expressiva de jovens reforça a esperança de um futuro mais sustentável. “Está nas mãos dos jovens fazer o que a minha geração não conseguiu. Na juventude sonhamos os mais nobres sonhos da existência: liberdade, justiça e crença no futuro. Sem sonhos, a sociedade não se transforma, e precisamos motivá-los a sonhar e realizar mais”, destacou.
Segundo Adson Ribeiro, coordenador da Câmara Consultiva Regional Alto São Francisco, a realização da campanha em Paracatu possui um significado especial devido à relevância do Rio Paracatu para a bacia do São Francisco. “Este evento busca unir toda a sociedade para revitalizar, proteger e preservar um rio que integra o Brasil, promove o desenvolvimento, sustenta milhares de famílias e representa um importante patrimônio cultural”, afirmou.
O vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Altino Rodrigues Neto, reforçou a importância da participação coletiva. “Um rio, muitas mãos. Com esse mote, queremos mãos estendidas, mãos solidárias e mãos que se unem para proteger o Velho Chico, não apenas pela questão ambiental, mas também por sua gente. Afinal, todos nós somos o povo do São Francisco”, ressaltou.
A vice-presidente da Irriganor – Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas Gerais, Rowena Petroll, destacou a importância da realização do evento em Paracatu. “Desde a crise hídrica de 2017, temos investido em estudos ambientais. O primeiro contemplou as bacias do Ribeirão das Almas, Santa Isabel, Córrego Rico e Entre Ribeiros. Atualmente, outros quatro estudos estão em andamento em afluentes do São Francisco e irão apontar ações práticas para proteger e revitalizar as nascentes”, explicou. Atualmente, a Irriganor reúne 546 produtores rurais.
Medalha Velho Chico
Durante a programação, o vice-presidente do CBHSF, Altino Rodrigues Neto, e o prefeito de Paracatu, Pedro Adjuto, homenagearam Ildeu Novais Pinto com a Medalha Velho Chico. Ex-balseiro dos rios Paracatu e São Francisco, Ildeu emocionou-se ao receber a honraria aos 101 anos de idade.
Outro momento simbólico foi a rega de uma muda de buriti com águas trazidas de afluentes do Rio São Francisco. Participaram da cerimônia Tobias Vieira, Pedro Adjuto e o presidente da Câmara Municipal, Manoel Alves. A muda foi plantada na Praça do Rosário em homenagem ao poema “Buriti Perdido”, do escritor e jurista paracatuense Afonso Arinos, reforçando a conexão entre a preservação ambiental e a identidade cultural da região.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Nágela Caldas
*Foto: Milena do Carmo

